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Introdução

Siena é uma cidade única no mundo, dividida em dezassete contrade – pequenas comunidades que há séculos transmitem tradições, rivalidades e paixões ligadas ao famoso Palio. Entre elas, a Contrada Priora da Civetta ocupa um lugar especial. Representada por uma coruja coroada pousada num ramo, a Civetta é amada pelos seus contradaioli (membros da contrada) e intriga visitantes de todas as idades .

Este guia de viagem familiar leva‑o a descobrir a Contrada da Civetta: desde a sua antiga história até às suas tradições mais sentidas, passando pelo museu cheio de tesouros e pelos Palios conquistados ao longo dos séculos. Tudo começa no acolhedor Hotel Minerva, em Siena, ponto de partida perfeito para explorar o coração medieval da cidade e as ruas da Contrada del Castellare (outro nome da Civetta). Prepare‑se para uma viagem no tempo por entre ruelas estreitas, lendas e as cores das contrade .

Onde fica a Contrada da Civetta?

A Contrada da Civetta situa‑se no centro histórico de Siena, dentro do Terzo (distrito histórico) de San Martino. O seu território desenrola‑se em torno da Piazza Tolomei e das ruas adjacentes — Via Cecco Angiolieri, Via delle Donzelle e Via di Calzoleria — alcançando partes de Banchi di Sotto e Banchi di Sopra perto da Croce del Travaglio. Esta zona central, rica em palácios medievais, é também conhecida como Castellare degli Ugurgieri, nomeado pelo antigo complexo fortificado que forma o núcleo da contrada .

Para os visitantes: do Hotel Minerva (Via Garibaldi 72) são cerca de dez minutos a pé até à Piazza Tolomei e, assim, entrar no território da Civetta. De imediato se fica imerso numa atmosfera medieval: ruelas de pedra estreitas, brasões da contrada pintados nas paredes e, talvez, bandeiras preto‑vermelhas (as cores da Civetta) penduradas em janelas e portas. É um bairro muito central e ao mesmo tempo tranquilo, perfeito para explorar com crianças, que se divertirão a procurar o símbolo da coruja escondido aqui e ali nas decorações dos edifícios .

Por que se chama “Civetta”?

O nome Civetta vem do animal que a representa — a pequena coruja. Segundo a tradição histórica, o nome remonta à antiguidade clássica: nesta área existia um templo dedicado a Minerva, deusa romana da sabedoria, cujo animal sagrado era a coruja. Esta ligação a Minerva fez com que a ave nocturna se tornasse o símbolo do bairro . A coruja também representa astúcia e a capacidade de ver claramente no escuro — qualidades de que os contradaioli se orgulham .

Brasão e cores: o brasão oficial da Contrada Priora da Civetta é dividido em preto e vermelho, com uma coruja coroada pousada num ramo ao centro. De cada lado do pássaro estão dois pequenos escudos azuis com as letras “U” e “M” em homenagem ao Rei Umberto I e à Rainha Margherita de Saboia, que autorizaram a adição das suas iniciais durante uma visita a Siena em 1887 . As cores da contrada são preto e vermelho com contorno branco, facilmente reconhecíveis nas bandeiras e lenços (bandane ou foulards) usados pelos membros. O contraste entre o preto e o vermelho, animado pelo branco, torna a bandeira da Civetta uma das mais elegantes e visíveis durante o Palio .

Qual é o lema da contrada e o que significa?

Cada contrada de Siena tem um lema tradicional em italiano ou latim que expressa o seu espírito. O lema da Civetta é “Vedo nella notte” – “Vejo na noite”. Associada à imagem da coruja nocturna, esta frase curta enfatiza a capacidade de ver mesmo na escuridão e, assim, de manter a lucidez e astúcia mesmo em situações difíceis . É um lema quase misterioso e fascinante que diverte as crianças: convida a identificarem‑se com o olhar vivo da coruja que observa silenciosamente tudo na noite. Por este motivo, a Civetta é às vezes apelidada de contrada que vê à noite. Obviamente, não espere ver corujas reais pousadas nos telhados de Siena! É simbólico: a Civetta “vê” figurativamente. Durante as festividades da contrada é comum ouvir os contradaioli entoar cantos que recordam o lema para se animar antes das corridas ou para celebrar vitórias .

Por que se chama Priora?

O nome oficial da contrada inclui o título “Contrada Priora della Civetta”. O título Priora é uma honra especial: foi atribuído a esta contrada porque acolheu a primeira reunião do Magistrato delle Contrade, a assembleia que reúne periodicamente os priors (presidentes) de todas as dezassete contrade para discutir assuntos comuns . Historicamente, a Civetta teve a honra de organizar esta primeira reunião oficial e desde então tem direito a ser chamada de Priora. Apenas três contrade em Siena possuem títulos honoríficos: além da Civetta (Priora), há a Onda (Capitana, por méritos militares antigos) e a Giraffa (Regina, por ter acolhido um rei visitante). Estes títulos não conferem privilégios práticos no Palio, mas têm grande valor simbólico e cerimonial . Durante os desfiles históricos ouvirá o locutor anunciar: “Contrada Priora della Civetta” para sublinhar este estatuto especial .

Símbolos e emblemas secundários

Para além da própria coruja, a contrada possui diversos símbolos heráldicos e referências históricas que são divertidas de descobrir . Já mencionámos as iniciais U.M. nos escudos azuis, que evocam Umberto e Margherita, soberanos de Saboia honrados em 1887. Outros elementos notáveis incluem:

  • As Companhias Militares – No passado, Siena dividia o seu território em companhias militares. Para a Civetta as companhias de referência eram San Cristoforo, San Pietro in Banchi e San Vigilio. Hoje estes nomes têm pouco significado prático, mas encontrará referências nas ruas e igrejas da contrada: por exemplo, San Pietro in Banchi foi uma paróquia da zona (demolida no século XVIII), enquanto San Cristoforo é a igreja ainda de pé na Piazza Tolomei onde a Civetta tinha o seu altar .
  • A Loba de Siena – O símbolo da cidade é a loba amamentando os gêmeos, ligado à lenda de Remo e Aschio. Na Piazza Tolomei ergue‑se uma coluna encimada por uma loba de pedra, erigida em 1260 para celebrar a vitória dos sienenses na Batalha de Montaperti. A estátua original encontra‑se preservada no Museu da Contrada da Civetta, enquanto uma cópia permanece na praça. Esta ligação simboliza o orgulho da Civetta na história de Siena: os contradaioli sentem que a vitória medieval é também deles graças ao heróico líder Giovanni Ugurgieri, que partiu do Castellare com as suas tropas para lutar em Montaperti .
  • O apelido “del Castellare” – A Civetta também é chamada Contrada del Castellare porque o seu território inclui o Castellare degli Ugurgieri, a fortaleza medieval em torno da qual gira a vida da contrada. Passeando pelo Vicolo del Castellare verá uma placa recordando Giovanni Ugurgieri e a partida para Montaperti, assim como a dedicatória do oratório e da sede da contrada aos seus membros. Este apelido distingue a Civetta de outras contrade e recorda as suas raízes arquitetónicas fortificadas .

Quem é o santo padroeiro da contrada e como é celebrado?

O santo padroeiro da Contrada da Civetta é Santo António de Pádua, um dos santos mais populares da tradição católica (conhecido como o santo dos milagres e protetor dos pobres e das crianças). A escolha de Santo António está ligada à história: quando a Civetta decidiu construir o seu próprio oratório (igreja da contrada) dedicou‑o a Santo António de Pádua, tornando‑o o seu protetor .

A festa titular da contrada — celebração anual do padroeiro — ocorre por volta de 13 de junho, dia de Santo António. Geralmente, a festa da Civetta é no domingo mais próximo de 13 de junho. É uma ocasião muito sentida por todos os contradaioli, adultos e crianças. Há uma missa solene no oratório com os contradaioli em trajes tradicionais completos, seguida de procissão pelas ruas do bairro com a bandeira e a comitiva. Um dos momentos mais bonitos é o batismo da contrada, que muitas vezes ocorre durante a festa titular: recém‑nascidos da contrada são simbolicamente apresentados ao santo e à comunidade .

Depois das cerimónias religiosas a celebração continua de forma convival: organizam‑se jantares ao ar livre no Castellare ou nas ruas, com longas mesas onde as famílias partilham pratos típicos sienenses. Há iluminação em preto‑vermelho‑branco, música e jogos para crianças. Por vezes realizam‑se exposições fotográficas ou exibições de filmes de antigos Palios conquistados pela Civetta, recordando as glórias da contrada . Em resumo, a festa titular é uma oportunidade para fortalecer o espírito comunitário e para que até as crianças conheçam as raízes da contrada num ambiente alegre .

Quais são as tradições mais importantes da Contrada da Civetta?

A vida numa contrada é rica em tradições seculares. Aqui explicamos algumas particularmente significativas na Civetta :

  • Batismo da contrada: este rito acolhe oficialmente novos membros. Quem nasce ou vive no bairro, ou deseja aderir, é simbolicamente batizado com água da fonte batismal da contrada. Na Civetta esta fonte é uma elegante obra do escultor Adolfo Micheli, localizada na Via Cecco Angiolieri 45, no pátio do Castellare. No topo há uma pequena coruja de bronze. Durante a cerimónia o priore ou o pároco molha a testa do candidato com a água da fonte e recita uma fórmula de acolhimento. A partir desse momento, o novo contradaiolo — criança ou adulto — torna‑se parte da família da Civetta . Este rito costuma ocorrer no dia da festa titular de junho ou em ocasiões especiais e frequentemente envolve dezenas de crianças, criando um ambiente emocionante para pais e toda a contrada .
  • A Società (clube) da contrada: cada contrada possui uma Società di Mutuo Soccorso (sociedade de auxílio mútuo) que funciona como clube social para os seus membros. A da Civetta chama‑se Società “Cecco Angiolieri”, em homenagem ao célebre poeta medieval que nasceu neste bairro (ver adiante). A Società organiza jantares, festas, bingo, transmissões de jogos de futebol e outras actividades sociais que mantêm a comunidade viva durante todo o ano, não apenas durante o Palio. É voltada para famílias, com espaços onde as crianças podem brincar em segurança enquanto os adultos jantam ou conversam . Se estiver a hospedarse nas proximidades durante um evento, não é raro que os contradaioli convidem hóspedes para um jantar na sua Società — uma forma autêntica de experimentar a vida sienense.
  • As provas e o jantar da Prova Generale: durante o período do Palio (final de junho/início de julho e meados de agosto) a cidade vive para a corrida. A Civetta, como as outras contrade sorteadas, participa com seu cavalo e jóquei. Nos três dias de provas antes da corrida a contrada realiza diversos rituais: desde a benção do cavalo (no dia do Palio, o cavalo da Civetta é conduzido à Oratória de Santo António para uma bênção solene — diz‑se “Vai e volta vencedor!”) até à procissão histórica em trajes. Na noite da Prova Generale — a penúltima corrida de treino realizada na véspera do Palio — todas as contrade organizam um grande jantar ao ar livre nas suas ruas. O jantar da Prova Generale da Civetta reúne centenas de pessoas no Castellare ou noutra praça do bairro, com mesas sob as bandeiras, brindes, cantos e discursos do capitão. É um momento incrível de unidade: crianças correm com lenços da Civetta ao pescoço, avós relembram anedotas de Palios passados e o ar fica impregnado de entusiasmo antes do grande desafio do dia seguinte. Os turistas por vezes podem comprar lugar nesses jantares, pedindo à contrada, o que oferece a oportunidade de se sentir parte da celebração .
  • O Giro e a Paggiata: se a Civetta vence o Palio, as celebrações explodem! Na noite da vitória os contradaioli fazem o giro — uma procissão espontânea pelas suas ruas, cantando hinos de vitória, visitando simbolicamente os limites do bairro e celebrando com as contradas aliadas. Nos dias seguintes realiza‑se a Paggiata: o estandarte (drappellone) é levado em triunfo pelas ruas e simbolicamente apresentado às contradas amigas, acompanhado por tambores, porta‑bandeiras e figurantes em trajes históricos . A Paggiata da Civetta é particularmente alegre; às vezes crianças desfilam orgulhosas com um pequeno estandarte de papel ou tecido. Algumas semanas depois da vitória acontece o Jantar da Vitória — um banquete de proporções épicas aberto a toda Siena, com mesas dispostas talvez na Piazza Tolomei ou ao longo das ruas, e o jóquei vencedor e o cavalo presentes como convidados de honra . É o auge das tradições da contrada: comer, cantar e estar juntos sob o olhar benevolente da Civetta vencedora .

Em geral, a contrada é uma segunda família para quem vive lá. As pessoas nascem, crescem e vivem “na Civetta”, aprendendo desde cedo o sentido de pertença. Para turistas e crianças visitantes, assistir mesmo a um pequeno fragmento destas tradições — seja uma bênção, uma prova, um batismo da contrada ou um simples jantar — pode ser uma experiência inesquecível que revela quão vibrante é o património cultural de Siena .

A Civetta tem aliados e rivais?

Sim. Na teia complexa de relações entre as contrade, a Civetta tem quatro contrade aliadas: Aquila, Giraffa, Istrice e Pantera. Estas alianças consolidaram‑se ao longo do tempo por várias razões históricas e conveniências mútuas durante o Palio. Por exemplo, Civetta e Pantera aliavam‑se antigamente porque ambas se opunham frequentemente à poderosa Oca; com Aquila e Istrice a aliança é mais recente (segunda metade do século XX) e nasceu de rivalidades partilhadas e interesses comuns; a aliança com a Giraffa remonta a tempos antigos e é reforçada pela proximidade territorial (Giraffa faz fronteira com a Civetta a leste). Ser aliados significa apoiar‑se moralmente durante o Palio, às vezes partilhando jantares ou iniciativas e, se uma vencer, participar nas celebrações enviando uma delegação oficial à procissão da vitória .

Por outro lado, a Civetta tem um rival histórico: Leocorno. A rivalidade Civetta–Leocorno é uma das mais intensas de Siena, embora só tenha sido oficializada em 1930. As rivalidades geralmente surgem de incidentes durante o Palio ou de fricções territoriais: neste caso Civetta e Leocorno são contrade vizinhas (separadas pela Via San Vigilio) e frequentemente correm o Palio juntas. Episódios de corridas muito competitivas e algumas faltas entre jóqueis no século XX exacerbaram a relação. Assim, desde cerca de 1930, Civetta e Leocorno consideram‑se inimigas .

O que implica esta rivalidade? Durante o Palio, Civetta e Leocorno tentarão não só vencer mas também dificultar a vida uma da outra se tiverem a oportunidade — por exemplo, usando estratégias para atrapalhar o cavalo rival na pista. No quotidiano há uma antipatia lúdica: se a Civetta vence, diz‑se que o Leocorno “pendura o lenço no poste de luz” (isto é, fica calado e triste), e se o Leocorno vence então os Civettini sofrem dobrado. Esta competição motiva ainda mais os contradaioli e cria um espetáculo dentro do espetáculo, especialmente para os visitantes . Contudo, uma vez terminado o Palio, a animosidade fica confinada à corrida: no dia a dia os Civettini e os Leocornini são simplesmente sienenses do mesmo bairro que convivem civilizadamente, talvez com algumas brincadeiras. Para as crianças das contrade a rivalidade é quase um jogo: pode ver jovens da Civetta e do Leocorno discutirem sobre quem é mais forte e depois voltarem a brincar juntos como se nada tivesse acontecido .

Que figuras históricas estão associadas a esta contrada?

O antigo território da Civetta abrigou figuras notáveis. Durante a sua visita pode contar estas histórias para intrigar os visitantes mais jovens :

  • Cecco Angiolieri (c. 1260–1312): poeta goliárdico da Idade Média, nasceu e viveu na Via degli Angiolieri (hoje Via Cecco Angiolieri) no coração da Civetta. Famoso pelos seus poemas irreverentes e jocosos — o verso mais célebre começa “S’i’ fosse foco, arderei ’l mondo” (“Se eu fosse fogo, queimaria o mundo”). Homem de caráter rebelde e amante da alegria, encarna parte do espírito mordaz da Civetta . Hoje a contrada honra‑o dando o seu nome à Società e com placas e citações nas ruas; procure a placa na casa onde se acredita que tenha vivido . As crianças vão gostar de ouvir sobre Cecco porque ele era um poeta “atrevido” que preferia rir e brincar a louvar a nobreza.
  • Giovanni Caselli (1815–1891): engenheiro e inventor nascido em Banchi di Sotto (território da Civetta). Não é um nome famoso, mas criou uma invenção notável para a época: o pantelegrafo, considerado um precursor do fax. Em 1861 Caselli conseguiu transmitir desenhos e assinaturas através de linhas telegráficas — essencialmente o primeiro fax da história. Ele também desenvolveu um leme automático para navios . A sua casa natal está assinalada com uma placa. Contar às crianças sobre Caselli pode ser inspirador: imagine que de uma pequena contrada medieval surgiu uma ideia tão avançada que antecipou a tecnologia moderna .
  • Pia de’ Tolomei (c. 1270–1298?): no território da Civetta ergue‑se o majestoso Palazzo Tolomei com vista para a praça homónima. Os Tolomei eram uma poderosa família de banqueiros sienenses. Uma mulher da família, Pia de’ Tolomei, está envolta em mistério e lenda; ela é mencionada por Dante no Purgatório (Canto V) com os versos “Ricorditi di me, che son la Pia; Siena mi fe’, disfecemi Maremma” (“Lembra‑te de mim, eu sou a Pia; Siena me fez, a Maremma me desfez”). Segundo a tradição, ela pode ter sido morta pelo marido num castelo da Maremma. Verdadeira ou não, ela tornou‑se uma figura literária famosa . Passeando na Piazza Tolomei pode mostrar às crianças o palácio gótico e contar esta história um tanto sombria de uma senhora sienense lembrada até na obra de Dante. A Civetta gosta de enfatizar que guarda o “quarteirão de Pia”; o museu da contrada expõe ocasionalmente obras de arte ou textos que a comemoram, fazendo parte do património cultural da área .
  • Beato Pier Pettinaio (c. 1200–1289): outra figura ligada à área é Pietro da Campi, conhecido como Pier Pettinaio porque vendia pentes para viver. Ele morava numa viela da Civetta (hoje Vicolo di Pier Pettinaio) e era conhecido pela sua honestidade e generosidade. Tornou‑se uma figura tão querida que Dante o menciona no Purgatório (Canto XIII) como exemplo de humildade em contraste com o orgulho nobre . Pier Pettinaio foi declarado beato pela Igreja e ainda é lembrado pelos sienenses. Ao passar pela viela com o seu nome, pode explicar às crianças que ali viveu um homem bom que ajudava os pobres e preferia uma vida simples a lucros fáceis – um exemplo positivo da Idade Média .

Como se vê, a Contrada da Civetta não se resume a cavalos e bandeiras: é um microcosmo de história e cultura. Cada canto conta uma história e cada nome de rua está ligado a alguém importante. Uma caminhada aqui torna‑se quase uma caça ao tesouro de histórias: desafie as crianças a encontrar, por exemplo, a coruja de bronze na fonte, a placa em homenagem a Cecco Angiolieri ou a coluna com a loba na Piazza Tolomei, e em cada paragem conte‑lhes a história associada . Assim a visita permanece animada e instrutiva .

O que se pode visitar na Contrada da Civetta?

Embora uma contrada não seja um museu ao ar livre no sentido tradicional, percorrer as suas ruas revela lugares de grande interesse ligados à vida da contrada e à história de Siena. Eis os principais pontos de interesse no território da Civetta :

  • Piazza Tolomei e Igreja de San Cristoforo: Esta elegante praça, no meio da Banchi di Sopra, é a porta ideal para o bairro da Civetta. Dão-lhe vista o palácio medieval Palazzo Tolomei (um dos palácios mais antigos de Siena, construído por volta de 1205) e a Igreja de San Cristoforo, uma pequena igreja românica . San Cristoforo desempenhou um papel especial para a Civetta: antes de a contrada construir o seu próprio oratório, os contradaioli reuniam-se aqui e tinham o seu altar. Na praça pode ainda ver a Coluna da Loba, símbolo de Siena, instalada após a vitória em Montaperti em 1260 . Observe a loba no topo da coluna; o original está no museu da contrada, mas a cópia mostra o quanto os sienenses valorizam os seus símbolos . A praça foi cenário de importantes assembleias cívicas: no século XIII o Governo dos Nove, que administrava a República de Siena, fazia as suas proclamações aqui . Para as crianças, contar quantas corujas e lobas podem encontrar nas decorações da praça é divertido.
  • Castellare degli Ugurgieri: Entrando pelo Vicolo del Castellare, chega‑se ao Castellare degli Ugurgieri, um complexo de edificações fortificadas do século XIII dispostas em torno de um pátio central que pertenceu à nobre família Ugurgieri . Hoje todo o castellare pertence à Contrada da Civetta e é o centro das suas atividades. Ao passar o arco, encontra‑se num pátio silencioso rodeado por paredes de pedra e janelas em arco, com poços antigos e brasões da contrada nas paredes — é como entrar na Idade Média . Nos dias de semana pode estar quieto e quase deserto, enquanto durante as celebrações da contrada enche-se de pessoas, mesas e bandeiras, tornando-se um cenário pitoresco de convivialidade . No lado direito do pátio, uma escada conduz a uma loggia que dá acesso à sede da contrada e às salas do museu; à esquerda, uma porta leva ao oratório . Curiosidade: no pátio, tente encontrar a pequena fonte batismal onde os contradaioli são batizados, frequentemente localizada sob um nicho com uma imagem da Virgem . No chão ou nas paredes pode notar conchas fósseis e seixos embutidos na estrutura; isto deve-se ao facto de as caves e salas subterrâneas mostrarem depósitos marinhos antigos — evidência de que esta área esteve submersa há milhões de anos! Olhos atentos podem ver camadas de conchas e areia consolidadas no tufo, oferecendo uma viagem geológica no tempo .
  • Oratório de Santo António de Pádua: Anexo ao lado do Castellare está a pequena igreja da contrada, construída pelos contradaioli entre 1933 e 1945. O exterior é muito simples — quase indistinguível, exceto por uma pequena fachada no estilo neo-românico sienense. Dentro, porém, é acolhedor e cheio de significado: preserva pinturas dedicadas a Santo António (do pintor Galgano Perpignani) e uma bela tela do século XVII doada pelo Conde Guido Chigi Saracini . No altar principal está a estátua de Santo António, padroeiro da contrada. Todas as cerimónias religiosas da contrada acontecem aqui: missas por contradaioli falecidos, a bênção do cavalo no dia do Palio, às vezes casamentos de contradaioli e, claro, os serviços da festa titular . Se encontrar a igreja aberta, entre respeitosamente — os contradaioli têm orgulho de mostrar a sua igreja e podem contar anedotas. Note as bandeiras e as velas votivas: por cada Palio conquistado a contrada oferece um ex‑voto ao seu santo. As monture (trajes) usados na procissão histórica também podem ser expostas aqui ou em salas adjacentes . Vale a pena ver a mistura de elementos sagrados e da contrada: Santo António ao lado do emblema da Civetta — uma mistura distintamente sienense.
  • Museu da Contrada Priora da Civetta: Esta é uma paragem imperdível. Inaugurado na década de 1990 e continuamente enriquecido, o museu está alojado em salas evocativas do Castellare e conta a história e a alma da contrada. Contém muitos tesouros. Em primeiro lugar estão os Palios conquistados — os drappelloni originais vencidos pela Civetta, desde os mais antigos aos mais recentes . É emocionante vê-los de perto: enormes estandartes pintados por artistas famosos, cada um marcando um ano de vitória. Há também paramentos sagrados da antiga igreja de San Pietro in Banchi — cálices, relicários e vestes — preservados quando essa igreja foi encerrada . Encontrará monture antigas — trajes históricos usados na procissão (alguns datam do século XIX e são finamente bordados à mão) — bem como pinturas, esculturas e cerâmicas pertencentes à contrada .

Uma secção inteira é dedicada a uma surpreendente coleção arqueológica de majólicas: pratos, jarros e loiças dos séculos XIII a XVIII, descobertos ao escavar um poço de lixo no Castellare. Estes achados mostram como era a cerâmica na antiga Siena — oferecendo um vislumbre da vida quotidiana medieval. Visitantes curiosos notarão que alguns pratos do século XIV já tinham formas “modernas” com uma depressão central, antecipando a nouvelle cuisine, como alguns brincam .

Há também vários memorabilia: fotografias antigas de vitórias, bandeiras gastas pelo tempo, tambores, o masgalano (prémio para a melhor apresentação no desfile), documentos e até filmagens históricas. Particularmente emocionante é a secção dedicada ao estábulo: uma janela interna do museu dá para o estábulo do cavalo da contrada — o pequeno espaço onde o cavalo atribuído à Civetta fica durante os dias do Palio. Este espaço é considerado sagrado e inviolável; especialmente nos dias de corrida ninguém pode entrar, exceto o barbaresco que cuida do cavalo. Ver o estábulo — mesmo vazio, com palha e selas prontas — ajuda a compreender a importância do cavalo para os contradaioli .

Por fim, o museu abriga a loba de pedra datada de cerca de 1470, mencionada anteriormente, que veio da Piazza Tolomei. Ela está em exposição orgulhosa e representa um elo tangível entre a história de Siena e a contrada . O museu também contém obras contemporâneas, como bandeiras pintadas por artistas modernos e troféus de competições inter‑contradas. Tudo é apresentado com cuidado: guias entusiastas — muitas vezes contradaioli voluntários como o senhor Domenico, o conhecido guardião de verão — explicam cada detalhe, muitas vezes partilhando anedotas pessoais das vitórias que testemunharam . As crianças ficarão cativadas pelas cores, pelos trajes de época, pelos tambores que às vezes podem experimentar e pelos vídeos das corridas .

O museu está aberto principalmente no verão e em ocasiões do Palio. De forma geral, de junho a agosto abre das 10h30 às 12h30 e das 16h00 às 18h00 (nos últimos anos houve aberturas até às 19h00). A entrada costuma ser gratuita, gerida pelos contradaioli, mas aprecia‑se uma pequena doação para apoiar a manutenção . Podem também ser reservadas visitas guiadas contactando a contrada através do site oficial. Normalmente alguém o receberá e, se não estiver cheio, acompanhará sala a sala; alguns voluntários falam inglês e outras línguas e há audioguias para smartphone para visitantes estrangeiros . Uma visita é altamente recomendada: oferece uma experiência autêntica, longe das multidões turísticas, onde se sente o orgulho e a paixão de Siena pelo Palio . Mesmo quem nada sabe sobre as contrade sairá enriquecido e — dizem muitas avaliações — com os olhos a brilhar após entender por que o Palio é tão importante para os sienenses .

Em resumo, a Contrada da Civetta oferece um itinerário concentrado mas rico: em poucos passos passa-se de arte sacra a tradição popular, da história medieval à emoção desportiva do Palio . Tudo é adequado a famílias: as distâncias são curtas — perfeitas para crianças que se cansam facilmente — e há sempre algo visual ou curioso para prender a atenção, seja um brasão com uma coruja, um tambor para experimentar ou um cavalo de pau no pátio do Castellare durante um jantar . Nas proximidades, estando no centro, há muitos bares de gelado e lojas que vendem doces sienenses (ricciarelli e panforte) para um lanche delicioso .

Itinerário a pé do Hotel Minerva aos sítios da Civetta

Para quem se hospeda no Hotel Minerva ou chega pela Via Garibaldi/estação, aqui fica um itinerário simples a pé para explorar a Contrada da Civetta de forma lógica. No total são menos de 2 km e pode ser feito facilmente em meio dia, a um ritmo descontraído, incluindo paragens e visita ao museu .

Passo 1: Do Hotel Minerva à Piazza Tolomei (porta de entrada da Civetta)

Saindo do hotel na Via Garibaldi 72, vire à direita e dirija‑se em direção ao centro histórico . Em cerca de cinco a sete minutos chegará à Piazza Salimbeni, reconhecível pelo seu elegante palácio e estátua central . Continue em frente ao longo da Via Banchi di Sopra, a rua principal. Após mais três minutos caminhando sob arcadas medievais, a estrada abre-se para a Piazza Tolomei — chegou! Aqui está na fronteira entre duas contrade: o lado voltado para o Palazzo Tolomei é Civetta, enquanto o lado oposto além da Via di Città é Pantera . Aproveite para admirar o palácio e a Igreja de San Cristoforo. Se a igreja estiver aberta, entre — é simples mas histórica. Em frente à igreja, procure a coluna com a loba; conte aos seus filhos a lenda de Senio e Ascanio e como a loba chegou a Siena. Tire uma foto em família com a coluna e o Palazzo Tolomei de fundo .

Passo 2: Vicolo della Torre e Castellare degli Ugurgieri

A partir da Piazza Tolomei, tome o Vicolo di San Pietro (um beco ao lado da Igreja de San Cristoforo) ou o Vicolo della Torre, que ambos conduzem ao bairro. Em um minuto encontrará a Via di Calzoleria e depois o Vicolo del Castellare. Este beco é muito estreito e atmosférico; verá a placa “Vicolo del Castellare” e provavelmente algumas bandeiras preto‑vermelhas se houver ambiente festivo . Entre no pátio do Castellare degli Ugurgieri — Passo 2 cumprido! Dedique algum tempo a explorar: à esquerda está a entrada do oratório (possivelmente fechado, mas observe o portal); à direita as escadas para a sede da contrada . No centro há um poço. Experimente bater palmas ou fazer um som: o eco entre as paredes altas faz parecer um castelo . Se houver um custodiante ou um contradaiolo, cumprimente com um sorriso — os sienenses são reservados mas orgulhosos da sua contrada e terão prazer em partilhar informações se virem que está interessado .

Passo 3: Visitar o Museu da Contrada

Se chegar durante o horário de abertura (manhã ou tarde) procure a entrada do museu no pátio. Normalmente há uma porta com o brasão da contrada e talvez uma bandeira. Toque ou entre: será recebido e poderá começar uma visita guiada . Reserve cerca de 30–45 minutos para ver tudo . Para as crianças, esta é uma experiência fascinante — diga‑lhes que verão “bandeiras reais ganhas nas corridas, trajes como os de um museu de carnaval mas medievais, e até salas subterrâneas com conchas na rocha!”. Envolva‑as pedindo que encontrem a bandeira mais antiga (pergunte qual é o Palio mais antigo em exibição — talvez um do século XVIII) ou a mais recente (a vitória de 2014) . Peça-lhes para descobrir a coruja em cada pintura de bandeira — transforma‑se numa caça ao tesouro visual. Não se esqueça de apontar a loba de pedra e explicar que ela esteve na praça que visitaram antes . Se Domenico ou outro guia lhes mostrar o estábulo, preste atenção à história de como o cavalo é acarinhado durante o Palio . Ao sair, considere deixar uma pequena doação para apoiar este museu gratuito .

Passo 4: Fonte batismal e arredores do Castellare

Logo fora do museu no pátio, procure a pequena fonte batismal (frequentemente protegida dentro de um nicho com uma pequena porta). Se estiver visível, note a pequena coruja no topo da coluna e explique às crianças o ritual do batismo da contrada — talvez tenha ocorrido há apenas algumas semanas (por exemplo, em junho de 2024, vinte e cinco novos contradaioli foram batizados aqui durante a festa) . Imagine a cena: bebês nos braços, a bênção, os aplausos e os nomes inscritos no registo da contrada. É uma boa oportunidade para refletir sobre como o pertencimento a uma comunidade começa muito cedo nesta cidade .

Saindo do Castellare, pode fazer um pequeno passeio pelas ruas laterais do bairro. Por exemplo, siga a Via Cecco Angiolieri até ao cruzamento com a Via dei Rossi. Ao longo da Via Cecco Angiolieri procure uma placa dedicada a Cecco Angiolieri no número 26 (onde também funciona um pequeno hotel hoje) ou próximo — uma lápide normalmente comemora o poeta em latim ou italiano . Em frente notará a entrada do Teatro dei Rozzi, uma histórica academia sienense, embora isso pertença à contrada da Lupa (os limites no centro entrelaçam‑se!). Volte para trás e faça um desvio pela Via dei Pellegrini e Vicolo dei Pollaioli; estas vielas características, com arcos e casas de tijolo, conduzem‑no em direcção à Piazza del Campo, deixando o território da Civetta na fronteira com Selva e Oca .

Passo 5: Retorno para o Hotel Minerva via Piazza Indipendenza

A partir do Castellare, pode regressar por uma rota diferente. Da Via Cecco Angiolieri desça pela Via dei Rossi (na adjacente contrada Bruco) até à Piazza Indipendenza . Aqui encontrará outra fronteira: de um lado da praça ainda estará em território Civetta, do outro estará em Oca . Aprecie a vista; diante de si a Costarella dei Barbieri desce em direção à Piazza del Campo (marcando a fronteira com Selva) . Da Piazza Indipendenza pode virar na Via della Sapienza e depois na Via Garibaldi para regressar ao hotel, completando o percurso .

Este itinerário terá mostrado todos os destaques da Contrada Priora da Civetta de forma relaxada . Naturalmente, se estiver em Siena nos dias do Palio ou durante festividades, pode adaptar o percurso para assistir a eventos especiais (por exemplo, estar na Piazza del Campo à noite para a Prova Generale ou seguir o giro da vitória se a contrada vencer!). Em qualquer época do ano, a área da Civetta é agradável: menos cheia de turistas do que outras ruas e cheia de histórias para descobrir. Quem sabe — os seus filhos podem ficar tão apegados à coruja que passam a torcer pela Civetta no próximo Palio .

Quantos Palios a Civetta conquistou e quais são?

Ao longo da sua longa história a Contrada da Civetta alcançou 34 vitórias oficiais no Palio di Siena. Este número abrange vitórias desde o século XVII (desde 1650, quando começam as estatísticas oficiais da cidade). A contrada também recorda vitórias mais antigas ou extraordinárias, totalizando 39 no seu rol de honra, mas segundo a lista oficial municipal há 34 drappelloni conquistados pela Civetta até hoje. A última vitória foi no Palio dell’Assunta em 16 de agosto de 2014, conquistada com o cavalo Occolé montado pelo jóquei Andrea Mari, conhecido como Brio .

Vejamos a história destas vitórias :

  • Primeira vitória: a Civetta venceu pela primeira vez o Palio em 2 de julho de 1664 (Palio di Provenzano). Foi um Palio alla lunga — disputado fora da Piazza del Campo — e está registado como uma vitória de um cavalo solto (o jóquei caiu mas o cavalo terminou em primeiro). Uma estreia dramática que se tornou lenda !
  • Período dourado do século XIX: a Civetta desfrutou de grande sucesso no século XIX, especialmente graças ao jóquei Luigi Menghetti, conhecido como Piaccina, que venceu três Palios seguidos entre 1811 e 1813. No total, a contrada somou 15 vitórias no século XIX, tornando‑a uma das contrade mais bem‑sucedidas da época .
  • Dobradinhas (cappotti) em 1761 e 1778: conseguir um cappotto significa vencer as corridas de julho e agosto no mesmo ano. A Civetta conseguiu isto duas vezes: em 1761 (vencendo em 2 de julho e 16 de agosto) e em 1778 (vencendo o Palio extraordinário em 17 de agosto depois de vencer em 2 de julho). Poucas contrade podem gabar‑se de várias dobradinhas; as vitórias duplas da Civetta mostram quão competitiva era nesses anos .
  • A longa espera do século XX: no século XX a Civetta acumulou cinco vitórias até 1949 (com jóqueis lendários como Primo Arzilli, conhecido como Il Biondo, vencedor em 1945, 1947 e 1949). Seguiu‑se um longo jejum: entre 1949 e 1976 a contrada nada venceu. O feitiço foi quebrado pelo famoso jóquei Andrea Degortes, conhecido como Aceto, em 1976. Após uma vitória em 1979 com Tremoto montado por Quebel, outro período de seca começou e durou 30 anos . Por esta razão a Civetta era brincando chamada de “nonna” — a contrada que estava há mais tempo sem vencer. A seca finalmente terminou em 2009, quando a Civetta triunfou novamente, seguida pela vitória de 2014. Estes sucessos recentes reviveram o orgulho da Civetta e eliminaram o rótulo de nonna .

Lista de vitórias por século

O resumo seguinte lista as vitórias da Civetta no Palio por século, com datas e breves notas :

SéculoVitórias da Civetta (data e nota)
Século XVII (1600–1699)2 vitórias: 2 de julho de 1664 (cavalo solto), 2 de julho de 1699 (jockey Santino) .
Século XVIII (1700–1799)7 vitórias: 2 de julho de 1727; 1761 (dobradinha: 2 de julho e 16 de agosto); 1778 (dobradinha: 2 de julho e 17 de agosto); 2 de julho de 1780; 2 de julho de 1789 .
Século XIX (1800–1899)15 vitórias: 16 de agosto de 1811; 2 de julho de 1812; 2 de julho de 1813; 30 de março de 1819 (Palio extraordinário de primavera); 2 de julho de 1828; 2 de julho de 1830; 16 de agosto de 1838; 16 de agosto de 1840; 2 de julho de 1846; 2 de julho de 1856; 17 de agosto de 1869; 2 de julho de 1876; 2 de julho de 1884; 16 de agosto de 1888; 2 de julho de 1893 .
Século XX (1900–1999)8 vitórias: 2 de julho de 1934; 16 de agosto de 1937; 16 de agosto de 1945 (Palio extraordinário pela libertação de Siena); 18 de maio de 1947 (Palio extraordinário); 16 de agosto de 1949; 4 de setembro de 1960 (Palio extraordinário pelo centenário da unidade italiana); 18 de agosto de 1976; 4 de julho de 1979 (Palio dell’Assunta adiado um dia devido à chuva) .
Século XXI (2000–presente)2 vitórias: 16 de agosto de 2009 (jockey Brio em Istriceddu); 16 de agosto de 2014 (jockey Brio em Occolè) .

Nota: As datas 2 de julho correspondem ao Palio di Provenzano (em honra da Madonna di Provenzano), que se realiza todos os anos nesta data. As datas 16 de agosto (ou 17/18 em alguns casos extraordinários) correspondem ao Palio dell’Assunta (em honra da Assunção da Madonna), a tradicional corrida de meados de agosto. Datas invulgares como 30 de março de 1819, 18 de maio de 1947 e 4 de setembro de 1960 indicam Palios extraordinários realizados para celebrações especiais . No século XX, a Civetta beneficiou de vários Palios extraordinários, aumentando o seu número de vitórias. Por exemplo, o Palio de 1945 celebrou o fim da Segunda Guerra Mundial e a Libertação: a Civetta ganhou essa corrida especial , e no museu pode ver a bandeira da libertação que saudou os Aliados que entraram em Siena em 3 de julho de 1944 — uma peça de história nacional e da contrada .

Comparação com outras contrade

Com 34 vitórias, a Civetta situa‑se aproximadamente no meio do ranking das contrade de Siena. Não é das mais vitoriosas — contrade como Oca, Onda e Chiocciola têm mais vitórias — mas possui um respeitável registo, enriquecido por duas dobradinhas e vitórias em momentos simbólicos (como a libertação após a Segunda Guerra Mundial) . Os contradaioli orgulham‑se disso e guardam cada bandeira com devoção. A última vitória em 2014 ainda está fresca na memória; se visitar o bairro pode ver fotos dessa corrida em bares da contrada ou ouvir as pessoas falar entusiasticamente sobre ela, esperando repetir a façanha em breve . No Palio nenhuma vitória é definitiva: a glória da última vitória dura até à próxima, e a Civetta está sempre faminta por novos sucessos — como uma coruja que mantém os olhos abertos à noite à procura de presas (metaforicamente, o estandarte!) .

Conclusão: a experiência de uma família na Civetta

Visitar a Contrada Priora da Civetta é muito mais do que ver monumentos: significa entrar na alma de Siena. Neste pequeno canto da cidade, partindo do acolhedor Hotel Minerva que serviu de base, terá descoberto uma comunidade viva com os seus rituais, histórias e hospitalidade genuína . Para uma família a experiência pode ser verdadeiramente enriquecedora: as crianças aprendem divertindo‑se — em museus invulgares e através de histórias de corujas, cavalos e cavaleiros — enquanto os pais apreciam a arte, a história e também a boa comida se participarem num jantar de contrada .